quarta-feira, 22 de novembro de 2017

DMITRI HVOROSTOVSKY 1962 - 2017



Aos 55 anos morreu o grande barítono russo Dmitri Hvorostovsky. Era um dos cantores que muito admirei, por isso aqui deixo este registo. Neste blogue vários autores escreveram sobre ele, sempre com referencias altamente elogiosas.

Hvorostovsky tinha uma voz de grande beleza, com timbre muito próprio e uma marcante presença em palco. Tive o privilégio de o ouvir ao vivo várias vezes, em diversos papéis, sempre ao mais alto nível.
Em 2015 foi-lhe diagnosticado um tumor cerebral e ainda o ouvi já depois do diagnóstico conhecido, numa memorável interpretação do Conde de Luna de O Trovador na Metropolitan Opera de Nova Iorque onde, logo que apareceu em palco, foi agraciado com uma enorme ovação do público, já antevendo o que acabou de acontecer hoje.

Deixo uma fotografia sua num momento de alegria face a um público rendido à sua arte. May the warmth of his voice and his spirit always be with us, diz a comunicação do seu falecimento. 
RIP Dmitri Hvorostovsky!


DMITRI HVOROSTOVSKY 1962 - 2017

At age 55 died the great Russian baritone Dmitri Hvorostovsky. He was one of the singers that I admired, so I leave this record here. In this blog several authors have written about him, always with highly praiseworthy references.

Hvorostovsky had a voice of great beauty, with a very own timbre and a marked presence on stage. I had the privilege of listening to him live several times, in various roles, always at the highest level.
In 2015 he was diagnosed with a brain tumor and I heard him already after his diagnosis, in a memorable performance of Count di Luna from Il Trovatore at the Metropolitan Opera in New York where, as soon as he appeared on stage, he was awarded an enormous public ovation, already anticipating what has just happened today.


I leave a photograph of him in a moment of joy in front of an audience surrendered to his art. “May the warmth of his voice and his spirit always be with us”, says the communication of his passing. 
RIP Dmitri Hvorostovsky!

sábado, 18 de novembro de 2017

DER FREISCHÜTZ, Teatro alla Scala, Milão / Milan, Outubro / October 2017


 (text in English below)

Der Freischütz de Carl Maria von Weber esteve em cena no Teatro Scala de Milão




Disse quem viu que foi um espectáculo de grande qualidade não só pelo desempenho do maestro e orquestra (a abertura é particularmente conhecida) como pelos cantores, todos de excelente nível.

Maestro – Myung-Whun Chung
Encenação – Matthias Hartmann



Ottokar – Michael Kraus
Kuno – Frank van Hove
Agathe – Julia Kleiter
Äennchen – Eva Liebau
Kaspar – Günther Groissböck
Max – Michael König
Ermita – Stephen Milling
Kilian – Till Von Orlowsky










DER FREISCHÜTZ, Teatro alla Scala, Milan, October 2017

Carl Maria von Weber's Der Freischütz was on stage at the Teatro alla Scala in Milan. Who saw the performance said that it was a great show not only for the the conductor and orchestra (the opening is particularly well known) and for the singers, all excellent.

Maestro - Myung-Whun Chung
Production - Matthias Hartmann

Ottokar - Michael Kraus
Kuno - Frank van Hove
Agathe - Julia Kleiter
Äennchen - Eva Liebau
Kaspar - Günther Groissböck
Max - Michael König
Hermitage - Stephen Milling
Kilian - Till Von Orlowsky

sábado, 11 de novembro de 2017

LA BOHÈME – METropolitan Opera, Outubro / October 2017


(review in English below)

La Bohème de G. Puccini estará em cena ao longo da presente temporada da Metropolitan Opera na velhinha encenação de Franco Zeffirelli. É clássica, muito bonita e desencadeia sempre aplausos quando abre a cortina. 



O 1º e 4º actos decorrem numas águas furtadas degradadas de um edifício de Paris. O 2º acto é exuberante, com o palco dividido em dois níveis ligados por uma grande escadaria lateral e muitos figurantes. Em frente do café Momus, para além de dezenas de pessoas, passa um pónei que puxa uma pequena carroça com guloseimas para as crianças, e um cavalo com uma carruagem onde vem a Musetta. O 3º acto também é de belo efeito, com uma paisagem gelada, escura e fria.



O maestro Alexander Soddy dirigiu com qualidade a excelente orquestra da casa que, mais uma vez, foi notável.



A grande intérprete da noite foi a soprano norte americana Angel Blue no papel de Mimi. Tem uma voz impressionante, potente, afinada e de uma beleza invulgar. Fantástica.



O tenor ucraniano Dmytro Popov foi um Rodolfo muito competente mas, ocasionalmente, teve uma emissão vocal menos regular. A voz é bonita e bem projectada. Esteve bem em palco e, no computo geral, foi uma boa interpretação.



O Marcello foi o barítono norte americano Lucas Meachem. Foi muito bom, tanto na interpretação vocal como cénica. A voz é agradável e sempre sobre a orquestra e, no dueto com o Rodolfo no 3º acto, esteve particularmente bem.



A soprano romena Brigitta Kele foi uma Musetta espampanante em cena, mas teve um desempenho vocal um pouco abaixo dos restantes cantores. Correcta na maioria das intervenções mas, por vezes, teve uma emissão irregular e estridente.



O baixo ingles David Soar foi um Colline ao mais alto nível, 



e tiveram interpretações dignas o barítono escocês Duncan Rock (Schaunard)


 e o baixo norte americano Paul Plishka (Benoit).







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LA BOHÈME - METropolitan Opera, October 2017

La Bohème by G. Puccini will be on stage throughout this season of the Metropolitan Opera in the old staging by Franco Zeffirelli. It is classic and very beautiful production that always triggers applause when the curtain opens. The 1st and 4th acts take place in the degraded attic of a Paris building. The 2nd act is exuberant, with the stage divided into two levels connected by a large lateral staircase and many extras. In front of the Momus café, in addition to dozens of people, passes a pony that pulls a small wagon with treats for the children, and a horse with a carriage where comes to Musetta. The 3rd act is also beautiful, with a mist, dark and cold landscape.

Maestro Alexander Soddy conducted the excellent orchestra of the Met with its usual remarkable quality.

The great interpreter of the night was American soprano Angel Blue in the role of Mimi. She has an impressive voice, powerful, tuned and of an unusual beauty. Fantastic.

Ukrainian tenor Dmytro Popov was a very competent Rodolfo but, occasionally, had a less regular vocal emission. The voice is beautiful and well projected. He was well on stage and, overall, delivered a good performance.

Marcello was American baritone Lucas Meachem. he was very good, both in vocal and scenic interpretation. The voice is pleasant and always heard over the orchestra and, in the duet with Rodolfo in 3rd act, he was particularly impressive.

Romanian soprano Brigitta Kele was a staggering Musetta on the scene but had a vocal performance a bit below the remaining singers. She was correct in most of the interventions, but sometimes she had an irregular and strident sound.

British bass David Soar was a Colline at the highest level, and also had decent performances the Scottish baritone Duncan Rock (Schaunard) and the American bass Paul Plishka (Benoit).


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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A FLAUTA MÁGICA / DIE ZAUBERFLÖTE, METropolitan Opera, Outubro / October 2017

(review in English below)

A Flauta Mágica de W A Mozart esteve novamente em cena na METropolitan Opera de Nova Iorque.




A encenação de Julie Taymor é de grande impacto visual, apesar de não ser bonita. Está recheada de símbolos maçónicos e há uma grande diversidade de criaturas fantásticas ao longo do espectáculo, durante todo o percurso iniciático do Tamino.




As três Damas ao serviço da Rainha da Noite aparecem cada uma com uma grande máscara na mão, o que permite um efeito espectacular. 



O Papageno surge vestido convencionalmente, como apanhador de pássaros. O Tamino e a Pamina também aparecem em trajos vistosos mas os mais espectaculares são o Sarastro, a Rainha da Noite e o Monostatos. Os cenários mudam frequentemente e o ambiente místico mantém-se em toda a ópera.



Dirigiu a excelente Orquestra do Met o maestro emérito James Levine.

O tenor norte americano Charles Castronovo foi um Tamino de grande qualidade vocal, sempre audível sobre a orquestra e com excelente presença em palco.



O barítono austríaco Markus Werba foi um dos melhores da noite. Fez um  Papageno irrepreensível. Tem uma voz bonita e afinada, não muito grande, mas perfeitamente adaptada à personagem. Em cena foi fantástico, oferecendo-nos uma interpretação enérgica e muito cómica.



O Sarastro foi superiormente interpretado pelo baixo alemão Tobias Kehrer. Voz ponderosa, grave, afinada e de timbre muito agradável.



A soprano sul africana Golda Schultz foi uma Pamina notável. Tem uma voz bonita e um timbre muito agradável. E esteve muito bem em palco.



A Rainha da Noite foi interpretada pela soprano norte americana Kathryn Bowden, uma substituição de última hora. Esteve globalmente muito bem, foi sempre audível sobre a orquestra, embora ocasionalmente tenha roçado a estridência. Foi a mais aplaudida da noite mas, para mim, não foi a melhor de entre este notável conjunto de cantores de primeira água.



Também tiveram grandes interpretações Ashley Emerson (Papagena), Greg Fedderly (um Monostatos engraçadíssimo) e as três Damas, Wendy Bryn Harmer, Sarah Mesko e Tamara Mumford.









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THE MAGIC FLUTE / DIE ZAUBERFLÖTE, METropolitan Opera, October 2017

The Magic Flute of W Mozart was again on stage at the METropolitan Opera in New York.

Julie Taymor's staging is of great visual impact, though it is not beautiful. It is filled with masonic symbols and there is a great diversity of fantastic creatures throughout the performance along Tamino’s initiatory journey. The three Ladies in the service of the Queen of the Night appear each with a large mask in their hand, which allows a spectacular effect. Papageno is conventionally dressed as a bird catcher. Tamino and Pamina also appear in colorful costumes but the most spectacular are Sarastro, the Queen of the Night and Monostatos. Scenarios change often and the mystic atmosphere keeps on throughout the opera.

Emeritus maestro James Levine directed the excellent Met Orchestra.

North American tenor Charles Castronovo was a Tamino of great vocal quality, always audible over the orchestra and with excellent presence on stage.

Austrian baritone Markus Werba was one of the best of the night. He was a faultless Papageno. he has a beautiful and tuned voice, not very big, but perfectly adapted to the character. On stage he was fantastic, offering an energetic and very comical interpretation.

Sarastro was superiorly interpreted by the German bass Tobias Kehrer. He has a powerful, bass voice, tuned and with a very pleasant timbre.

South African soprano Golda Schultz was a remarkable Pamina. She has a beautiful voice and a very pleasant tone. And she was very convincing on stage.

The Queen of Night was performed by North American soprano Kathryn Bowden, a last-minute replacement. She was globally very well, always audible over the orchestra, although occasionally she has touched stridency. She was the most applauded of the night but for me she was not the best among this remarkable set of top quality singers.

Ashley Emerson (Papagena), Greg Fedderly (a funny Monostatos) and the three ladies, Wendy Bryn Harmer, Sarah Mesko and Tamara Mumford also had great performances.


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